CORPO E DESENVOLVIMENTO
Passo a passo
Dos primeiros movimentos até a aquisição da marcha, tudo é aprendizado. Veja o que a criança pequena está adquirindo em cada uma dessas fases
Um bebê de apenas três semanas já se espreguiça, esticando braços e pernas. Também nessa fase, ele tende a sugar tudo o que é colocado próximo à sua boca e agarrar o que lhe é dado nas mãos. As primeiras conquistas motoras do bebê acontecem em torno da movimentação da cabeça, seguindo o olhar. O campo visual, assim como cheiros e sons, estimula o novo ser a se mover diante de qualquer estímulo externo.Já um pouco mais velho, a regra de ouro nessa fase, segundo o professor Paulo Fochi, é deixar o bebê de barriga para cima, sua posição mais confortável, e ir, aos poucos, colocando objetos nas laterais para que ele vá ampliando seu campo de visão. Evite o móbile – um instrumento de tortura, segundo Fochi. “Colocar algo que ele vê, mas não alcança pode deixá-lo irritado.” Com objetos nas laterais, ele vai começar a se virar até ter condições físicas de virar de barriga para baixo. Nesse momento ele começa a se apoiar com os braços e sentir o peso da cabeça. A linha do olhar muda do teto para o chão. André Trindade acredita que o adulto pode ajudá-lo a fazer esse giro, estimulando com delicadeza esse movimento.
Os especialistas recomendam que desde essa fase o adulto converse com o bebê sobre o que está acontecendo: avisá-lo de que sua fralda será trocada ou de que sua papinha será servida, por exemplo. Os momentos de cuidado são essenciais para o aprendizado. Esse conceito está, inclusive, descrito no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, de 1998: “É por meio dos primeiros cuidados que a criança percebe seu próprio corpo como separado do corpo do outro, organiza suas emoções e amplia seus conhecimentos sobre o mundo”.
Quando a criança senta, seu olhar vai do chão para a linha do horizonte. Nesse momento, Trindade recomenda almofadas para dar mais segurança. Ajuda muito o adulto ficar sentado com ela, manuseando os brinquedos que estão acessíveis, demonstrando que sentar é divertido. “Quando eu sento, eu libero as minhas mãos”, lembra a professora Irene. É o primeiro momento em que o bebê está com o olhar no horizonte e tem as mãos livres ao mesmo tempo (desconsiderando, é claro, quando ele está no colo dos adultos). A brincadeira clássica de dar e devolver objetos, que os bebês adoram, pode ser estimulada nessa fase. Assim como usar panos para se esconder. Nos berçários, o sentar ajuda no convívio social entre os pequenos. “Com apenas seis meses eles já são capazes de construir suas próprias narrativas”, destaca Irene. Por isso, um ambiente seguro, acolchoado, com blocos grandes de encaixe, pequenas plataformas, tecidos e bolas, se torna um verdadeiro parque de diversões. Com objetos interessantes e amigos por perto, se rastejar como uma cobrinha e engatinhar se tornam aventuras convidativas.
A aquisição da marcha é um dos momentos mais esperados pelos pais e alguns acabam colocando em risco a qualidade do andar ao acelerar esse processo. “O marcador para o início da marcha é 18 meses, não há por que ter pressa”, salienta Trindade, lembrando que a criança só vai atingir o andar maduro do adulto aos 9 anos. Nessa fase, é importante que o ambiente seja apropriado para as primeiras quedas – chão com tatames de borracha e almofadas. “Há crianças que se assustam com as quedas e voltam a engatinhar. Não tem problema, a coragem virá com o tempo”, explica Trindade. “Mas podemos ensiná-las a levar as mãos em direção ao chão para proteger o rosto durante as quedas”, complementa. Em suas primeiras tentativas, o bebê vai se agarrar a qualquer estrutura para ficar em pé, seja a mão de um adulto ou a grade do berço. O especialista recomenda que os adultos não segurem a criança pelas mãos, por trás delas. Isso pode deslocar o centro de equilíbrio para a frente ou fazer as crianças andarem na ponta dos pés. Logo, é o adulto que deve se abaixar ou dobrar os joelhos para ficar na altura do bebê.
Fonte Bibliográfica: http://www.revistaei.com.br/edicao/11/corpo-e-desenvolvimento-1/passo-a-passo
Vale a pena ler. Ótimo texto
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